REGRAS PARA SE FAZER O POEMA VARANO

sábado, 30 de abril de 2011

Novos Haicais

Drasticamente
Aniquilaram tudo
Sem piedade

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Navalha fria
Morbidez incurável
Renega o amor

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Espada corta
Vangloria-se do mal
Digna de pena

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Dei-te (,) meu amor
Imerecidamente!
Esteira da dor...

Rancor e Mágoa

O rancor e a mágoa
Vão toldando o tesouro
Transformando em resquício
Diante de um precipício
Sentimentos de ouro...

Entre gritos calados
Em suspiros profundos
Vão-se a cor e o sabor...
O perfume da flor
Ganha os cheiros do mundo...

Faz-se grande o descaso
O abandono do amor
E o rancor traz a mágoa
Onde o pranto deságua
No infinito da dor...

Morbidez

Nos becos da vida
Esticam-se os dedos
Grilhões se retorcem
Sem volta na ida

Gargantas escarram
O sopro da morte
Na vida sem sorte
Sem céu, sem guarida

Em gritos sufocam
Razão nua e crua
E vidas se embocam
Em mórbida Lua

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pensamento

O tempo passa, o amor perpassa!

O Burro

Ilhado num mundo de sonhos
Caminha por pedras e espinhos
A dor que lhe fere disfarça
Da trilha desvia o caminho...

Ilhado num sonho sem mundo
Resvala nas pedras de limo
Levanta-se, seca a ferida
e galga a montanha até o cimo...

De lá isolado e distante
a dor lhe oferece uma trégua...
Respira da vida um alento
e põe-se a andar outra légua...

Não usa anteparos nos olhos
Não se ouve um relincho, nem urro...
Melhor animal que humano
Que ser desumano – O Burro!...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Saudade

Saudade, saudade tua
tão grande que me dá medo!
Vejo teu rosto na Lua
mas não vejo teu segredo...
Vives bem longe da rua
não sei onde se situa
tua morada, teu enredo...
A vontade perpetua
de ver-te bela e tão nua
mimosa como um brinquedo...

Um beijo

Passei só pra dar um beijo...
Meu amor está dormindo...
Semblante terno, tão lindo...
Faz aumentar meu desejo,
vendo-te na minha mente,
nesse passar de repente
eu te beijo num lampejo...
Tu nem sentes...
Tu dormes...
Tu sonhas...
És meu amor
meu presente!

Janela

Vou pra janela...
De lá o mundo é mais calmo
não tem carros, não tem bois
não tem fidalgo ou escravo...
Vejo as horas sem pensar
não tenho muito a olhar
só o retrato do mundo
que passa a cada segundo
e não posso segurar...
Vou pra janela
olhar...

Pensamento

O silêncio é como o nada, pode estar cheio de tudo!

domingo, 24 de abril de 2011

HAICAIS

Páginas soltas
 Levadas pelo vento
  Morrem lembranças


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      Verdades ditas
       Sem arrependimento
        Pedindo perdão


          @@@@@@@@


            Saudade vem
             Na cor cinzenta e triste
              Sonhos sem volta


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                  Alegres dias
                   Éramos tão felizes...
                    Vesti-me em dor...


                      @@@@@@@@


                        Chuva traz amor
                         Há o aconchego em nós
                          Felicidade


                            @@@@@@@@


                               Ausente de ti
                                Vivi dias tristonhos...
                                 Somos felizes!...


                                   @@@@@@@@


                                      Sombras do tempo
                                       Adormecidas, mudas...
                                         Pintura viva!...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Azeviche

Noite escura e morta
Sem réstia de luz
Rastro que conduz
Ao desassossego...
Noite que transporta
Na cor do azeviche
Todo o seu fetiche
Noite que dá medo!

Amanhece o dia
Vida combalida
Vida ressurgida
Sem mais pesadelo...
Que venha a alegria
Me dar de presente
Esse amor ausente
Meu real desvelo...

Amor fugaz

Força inexplicável
Meu encantamento
És por um momento
Meu refúgio e paz...
Dor abominável
Eterno tormento
Trazes sofrimento
Nesse amor fugaz!...

Ó madona amada
Senhora de si
Espero por ti
Meu sonho de paz...
Nessa caminhada
Nunca percebi
Que o amor vivi
Nesse amor fugaz!...

Feliz Páscoa

Aos amigos e seguidores deste blog deixo meus agradecimentos e votos de uma Feliz Páscoa!

Mais alguns Haicais

Tenho saudades
 Dor que tolero por ti
 Sonhos distantes...

   *************

     Olhar que fala
      Sem palavras pergunta
       Por que tão longe?...

         *************

            Coração mudo
             Pensamento transporta
              Sonhos infindos...

               *************

                  Presa tão fácil
                   Na tentação se rende
                    Perde seu amor...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Serra Verde

O verde daquela serra
Traz-me de longe a saudade
Do que vivi noutra idade
Nos longes da minha terra...

Lembranças que chegam claras
Trazendo imagens que o tempo
Deu-me como um passatempo
- Imagens que me são caras...

O verde daquela serra
Deixa-me igual a criança...
Guardá-lo-ei na lembrança
Nos longes da minha terra...

HAICAIS

Mãos se encontram
Novo ciclo da vida
Existência

   ########

Surge tão linda
Não há mácula nem dor
Só rosas... flores

   ########

Somos encanto
Mas também somos sofrer
Não vivemos sós

   ########

Sem cor, sem sabor...
Murchou... não foi regado...
Egoísmo só!

Vence a Virtude

Cresce co’ a vida a aura das virtudes,
Enfrenta embates ríspidos, contíguos,
Arranca forças ante os sons ambíguos
E se compraz num surto de atitudes...

Vociferando, em riste o dedo aponta
E, desalmada, a voz se agiganta
Rasgando as cordas presas da garganta
E se retrai frustrada em sua afronta!

A agigantar-se ereta a aura de luz
Enfrenta ao mal co’amor e ao pó reduz
E traz de volta a paz que lhe alimenta!

Bradam gemidos mórbidos e imundos
Na insensatez febril dos moribundos...
... Vence a virtude ao caos que lhe atormenta!

domingo, 17 de abril de 2011

Pedaço de Papel



Saltou-me às mãos como um pedaço de papel
O teu bilhete já manchado pela chuva,
Trazido ao vento na leveza de uma luva,
A procurar a pena e a voz de um menestrel!...

Tive o cuidado de tomá-lo com carinho,
Com seus rasgados, suas manchas amarelas...
Eu li a frase mais bonita entre as mais belas,
Em que me davas o endereço do teu ninho...

Velho pedaço de papel quase acabado...
Trazia a vida entre as rugas do amassado...
Podia-se ver de tuas mãos as digitais...

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Hoje ainda o guardo com cuidado e com carinho,
Lembrando as trilhas que eu seguia em desalinho,
Ávido a amar-te entre os arroubos de teus ais...

sábado, 16 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pé de flor


Pintei uma linda flor
Num velho papel de pão
Para dar ao meu amor
E o vento jogou no chão

Abaixei-me pra pegá-lo
Vi a flor tornar-se viva
Segurei-a pelo talo
Ela mostrou-se cativa

Beijou-me a mão e sorriu
E levemente corou
Disse: Teu amor ouviu
Por isso a ti me enviou!

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E aquele papel de pão
Simbolizando o amor
Criou raízes no chão...
Hoje é um lindo pé de flor!...

domingo, 3 de abril de 2011

Lua aveludada


Mente entrelaçada
Braços esticados
Busca inexorável
Riso em descalabro
Síntese entubada
Túnel do futuro
Êxtase velado
Fuga enluarada
Para o amor mais puro!...

Dor continuada
No desejo ardente
Desse amor seguro
Mente enfeitiçada
Guardo-te latente
Lua aveludada
Misteriosa amada
Meu melhor presente!...